segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Meu símbolo preferido

Há alguns dias eu perdi(perdi não, roubaram!) uma correntinha de ouro que me foi dada pelo meu pai. Presente do meu pai, junto com os brincos e o anel, quando eu fiz 15 anos. Naquele ano, eu nem esperava ganhar presente dele, porque nós resolvemos fazer festa tradicional e ele gastou muito dinheiro com isso. Para completar, meu pai era um sujeito meio "desligado", que, geralmente, dava o dinheiro pra a gente mesmo ir comprar as coisas. Mas para ele, aquela data era especial, então, além de toda a festa que ele estava me dando, ele também teve a atenção e a delicadeza de me dar um conjunto de jóias. Ele mesmo teve a idéia e ele mesmo escolheu, sem ajuda da minha mãe! E eu amei o presente por todo o significado. Não sei hoje em dia, que quase não existem mais meninas de 15 anos, mas sim mulheres dessa idade, mas na "minha época", fazer 15 anos era algo mágico. Eu esperei tanto por isso, achando que aos 15 seria dona de mim, adulta, teria permissão para tudo. Hahahaha! Claro que isso não aconteceu, mas os meus pais estavam na mesma sintonia, na mesma ansiedade, na mesma emoção. E para o meu pai, eu, a quem ele sempre chamou de princesinha, estava entrando na fase de me tornar mulher, de ter namoradinhos, de exigir privacidade, me achar muito madura, e tudo o mais. Ele queria marcar essa passagem com um presente digno de uma mulher, e que durasse para sempre, para eu me lembrar de como é linda essa idade, mesmo quando chegasse a uma idade bem mais avançada. Então me deu uma jóia linda e cheia de significado emocional.
Quando meu pai morreu, eu guardei a correntinha, e passei a olhá-la como um amuleto, usando-a apenas em momentos importantes, para dar sorte, como se aquela correntinha pudesse me aproximar da pessoa que me presenteou. Por isso eu fiquei tão chateada, afinal, podia ter me tirado qualquer outro bem material, mas não aquele.
É aí que entra a importância dos símbolos na nossa vida. Eu tenho muitas correntinhas de ouro, não fiquei triste por causa da jóia, nem por causa do metal de valor. Fiquei triste mesmo, porque era um símbolo, algo que eu podia tocar e sentir uma coisa além do objeto. Esse é o papel dos símbolos, nos aproximar de sentimentos, ou lembranças que estão dentro de nós. Os símbolos são a linguagem universal usada pelo inconsciente para se expressar e se introduzir na consciência. É assim com uma foto de alguém que está longe, com os símbolos do Natal, da Páscoa, com as imagens dos santos, com logomarcas de produtos muito conhecidos, com filmes, músicas,e qualquer outra forma de expressão. Desde o início, a humanidade criou formas de se expressar, ou de se ligar ao imaterial através de algo palpável.
Era essa correntinha que eu tocava e chegava mais pertinho de uma lembrança doce dentro de mim, minha lembrança preferida, minha saudade eterna, a fome que eu não posso matar. A correntinha pode dar lugar a outros símbolos, mas a lembrança doce, é insubstituível.

Beijos a todos!

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