Parecia que eu tinha desistido do Bananada né?
Não! Isso, de jeito nenhum... Eu estava apenas arrumando a casa. Literalmente.
Eu me mudei no início de março e, como a maioria das pessoas sabe ou imagina, mudança é o nome mais adequado mesmo, para a alteração de endereço de uma pessoa (fale algo menos óbvio sua boba, meses e meses sem uma postagem sequer e volta dizendo uma asneira dessa?!). Explicando: quando você se muda, a mudança não acontece apenas de uma casa para outra, a sua vida muda muito.
A minha vida mudou demais.
Os caminhos condicionados na minha mente tiveram que dar lugar a outros, aos quais eu não era habituada. Me peguei voltando para casa muitas vezes, chegando a uma rua que não era mais minha, até lembrar que eu não moro mais ali. Fui a lojas e, ao fornecer o endereço para entrega, começava dizendo o antigo, e sempre explicava: "É que eu me mudei há pouco tempo, ainda não acostumei, mas é assim mesmo.", menos para as pessoas que ouviam e mais para aquela mesma que falava.
Até o presente momento, todas as vezes em que sonho dormindo (sim, porque eu vivo sonhando acordada), se a minha casa for o cenário do sonho, é aquela antiga casa onde se passa a história.
A minha família morava naquela casa desde que a minha mãe tinha 3 anos de idade. Isso mesmo, quando a minha mãe tinha somente 3 aninhos, meu avô construiu aquela casa. Lá, minha mãe viveu a infância dela, com os irmãos e amigos, viu o bairro ser construído em volta, viu o riacho se transformar em rua, que depois foi asfalltada, viu a vacaria se instalar lá, e a viu sumir para dar lugar a casas bonitas, que deram lugar a prédios, academias de ginástica, padarias, postos, e tudo o mais que existe ali. Naquela casa ela deu festinhas, ali ela conheceu meu pai, lá mesmo ela começou a namorar e quando ela se casou, a festa foi lá.
No mesmo lugarzinho ela passou momentos ruins, perdeu a mãe e, corajosa, permaneceu morando lá, criou os filhos, que passaram por tudo o que ela passou. Naquela casa eu vivi a infância, corri, pulei, brinquei, aprendi a andar de bicicleta, recebi minhas coleguinhas. Lá eu fui adolescente, lá eu tenho todas as lembranças do meu pai.
Só que um ciclo se encerrou, a roda tinha que girar, e a casa ficou grande demais. Com lembranças demais. Preferimos guardá-las só aqui dentro e seguir o caminho. O passarinho queria sair do ninho, ele precisava disso para saber que podia. Eu e minha Mainha estamos em um outro local, com uma nova vida, as velhas amizades continuam e novas amizades também surgiram. A antiga casa agora é o Novo Lar de uma família que a quis muito, e que será muito feliz lá, se Deus quiser. Desejo a eles toda a felicidade que eu mesma tive, porque mais, é bem difícil.
E com tudo isso, e ainda o lado prático, a minha vida ficou de cabeça para baixo. Quando a gente conseguiu arrumar tudo, tivemos que comprar algumas coisas novas, nos desfazer de algumas antigas e arrumar, arrumar, arrumar. E quando terminou a arrumação, fomos retomar tudo o que parou nesse tempo. Fazer visitas prometidas havia tempos, fazer exames de saúde periódicos, enfim... Cuidar da vida que parou.
No meio de tudo isso eu voltei a estudar, então não sobrou tempo para mais nada e o Bananada ficou aqui quietinho.
Mas agora, que tudo está novamente em equilíbrio, eu voltei.
Posso dizer que valeu a pena. Estou muito satisfeita com a nova morada. Não sinto falta de nada da antiga casa, porque tudo de bom que ela me deu está aqui comigo. Todas as boas lembranças, todos os momentos maravilhosos... Mas é uma forma de lembrar sem tristeza, sem arrependimento, sem machucar.
Então, estou voltando agora, com meus textinhos descompromissados, para quem quiser, ou para ninguém.
Beijos a todos!
