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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Até quando?

O que fazer quando não se pode confiar em mais ninguém? Não é raro sermos assombrados por notícias de babás que maltratam crianças das quais deveriam cuidar, mas isso sempre choca. Ultimamente, é mais frequente, tanto babás agredindo crianças indefesas, como os próprios familiares dessas crianças, ou a madrasta, por exemplo... E nós que achávamos que as madrastas dos contos de fadas eram más... O que é uma simples maçã diante de todo o horror que as madrastas e babás do mundo real têm praticado?
Hoje uma notícia me deixou mais chocada ainda, se é que isso é possível. Uma senhora de 62 anos, dona de uma creche, chamada por todos de Vovó da Creche, vejam só, VOVÓ, maltratava as crianças de uma maneira cruel e nojenta. Ela agredia banalmente as crianças que passavam o dia em sua creche - ironicamente, o nome do local é "Creche Bebê Feliz" - enquanto os pais dessas crianças trabalhavam para garantir o sustento da família. A creche funcionava em Goiânia, desde 2009 (sendo que a "vovó-bruxa" já trabalhava com crianças havia pelo menos 9 anos), e, há cerca de 1 mês, uma funcionária procurou a polícia  para denunciar os maus tratos ocorridos no estabelecimento. A corajosa coordenadora da creche trabalhava lá havia 7 meses, e disse presenciar essas cenas desde a primeira semana, se sentindo horrorizada a cada dia com tanta maldade. A polícia conseguiu uma autorização judicial que permitiu à funcionária fazer imagens dessas agressões, que sevirão de prova no processo contra a agressora. Os pais, revoltados (e não é para menos), não sabem o que fazer, alguns deixavam seus filhos aos cuidados dessa criminosa desde os 6 meses de vida, crianças que, hoje, com 3 anos, 4 anos de idade, apresentam traumas, bloqueios, comportamentos agressivos, ou exageradamente introspectivos, devido às barbaridades de que foram vítimas e presenciaram. 
As mães se sentem culpadas por não terem desconfiado, por não terem percebido os sinais, por não poderem cuidar pessoalmente de seus filhos o dia inteiro, já que precisam trabalhar, e pelos mais diversos motivos. É um sentimento de impotência, pois tudo isso aconteceu bem debaixo dos narizes desses pais. Vem um sentimento de frustração, de remorso. Algumas mães falaram que os filhos choravam para não irem à creche e elas, sem saber de nada, obrigavam, faziam com que os pequenos fossem, mesmo insatisfeitos. Nós dizemos: "É o que qualquer um de nós faria, é difícil pensar que algo assim acontece com a gente. Todo mundo acharia que é birra, coisa de criança, preguiça, manha...Ninguém deve se culpar. A única culpada é a "Velha Safada" que fazia isso com as crianças.", mas a verdade é que deve dar vontade de matar e de morrer ao mesmo tempo. Os atos de crueldade não se enquadram mais em maus tratos, segundo a delegada, pois ultrapassam o tapinha, o grito, a falta de higiene e cuidados, já chegando ao patamar de crime de tortura! Os pais devem ficar atentos ao que acontece, tomar todas as providências possíveis, mas não devem se sentir culpados pelo fato de não terem percebido antes. Ninguém percebeu. Porque nós, que não temos tanta covardia e tanta maldade a ponto de torturar uma criança, não pensamos no pior. É lógico que criança se machuca, briga com os coleguinhas, brinca e cai. Difícil é pensar que uma pessoa que consegue causar dor em criaturas tão adoráveis, tão indefesas, tão meigas, está tão perto de nós. Pior: está cuidando dos nossos. Toda a cidade sente ódio e parece inconformada, ainda mais por não ter sido decretada a prisão temporária da bandida e ela ter fugido, não se sabe para onde. Será que ela vai ficar impune? Será que ela vai ter sua pena abrandada por ser uma idosa? 
Até quando vamos ter que conviver com isso? Até quando leis tão brandas com pessoas tão severas? Até quando as trabalhadoras se sentirão culpadas por precisarem deixar seus filhos? Até quando os mais indefesos ficarão nas mãos de monstros? Até quando as Creches "Bebê Feliz" vão parecer o Castelo dos Horrores? Até quando Isabelas Nardonis, Joannas Marins e tantos outros?

"Direitos Humanos para humanos direitos."