O que faz uma pessoa ser especial para outra? São as afinidades? Eu acho pouco, pois afinidade é fácil encontrar por aí e, não só por isso todo mundo vai ser especial. É o tempo que passam juntas? Todos já sabemos que não. Tempo é relativo e, às vezes, estamos juntos por longos períodos só por costume; em contrapartida, conhecemos pessoas que, em pouco tempo, tornaram-se especiais para nós. Então o que é? É o tanto de amizade que se tem? Amizade é sentimento? Ou é uma situação? Se for amizade uma situação, o sentimento que a sustenta, eu diria que é o mais puro e perfeito amor. Amor que não cobra, que não pede nada em troca, não se orgulha, nem sente ciúmes, esse é o amor da amizade. E será que é ele que torna uma pessoa especial para a outra? Creio que estou chegando lá, mas ainda falta algo... Eu não estou falando de ter amigos, bons amigos e amar todos eles e sentir algo especial por eles, cada um do seu jeitinho... Eu estou falando aqui, de ser ESPECIAL, todo em caixa alta.
Então vou tentar mais um pouco. Hoje as pessoas falam mais de sentimentos, se expressam mais, principalmente os jovens. “Eu te amo” e “Você é especial pra mim” é quase regra em grupos de amigos. Eu não critico, na verdade, acho ótima essa espontaneidade, essa intensidade com que se vive. Só vejo um pouco de distorção de significados.
Especial, adjetivo: exclusivo de uma coisa ou pessoa, particular. Excelente, distinto.
Algo tão exclusivo e excelente assim não pode ser de qualquer um, né?
Agora esse bando de perguntas gerais passa a ser bem pessoal. Quem é especial para mim? Por quê? Quem são as pessoas que se destacam na minha vida?
Há algumas pessoas que se destacam demais, são poucas, mas essas, eu posso dizer que são ESPECIAIS.
E os motivos para isso são muito íntimos, mas como hoje é aniversário de uma delas, eu vou expor essas intimidades.
Ah! Só pra não esquecer, o nome dela é Lorena Barros.
Ela é minha prima e minha amiga. Eu sou mais velha do que ela, mas às vezes sinto que é o contrário. Eu lembro exatamente o dia em que ela nasceu (que vergonha!). Eu lembro a 1ª vez que a peguei no colo (quero um buraco pra me esconder!). Mas lembro também, que quando eu tive a 1ª história de amor mal sucedida, ela estava lá. Eu acho que ela não entendia totalmente o que acontecia, mas ficava tão quietinha, me respeitando, enquanto eu chorava e me descabelava loucamente, que me acalmava. Depois ela passou a ter maturidade até para me aconselhar!
Quando meu pai morreu, ela não soube o que me dizer, mas soube exatamente qual era o olhar de que eu precisava. E o olharzinho daquela menina me disse tudo, me disse coisas que nem ela sabia.
Quando eu me formei ela dançou valsa comigo. Quando eu me machucava no treino ela me segurava e ria de mim ao mesmo tempo. Só ela entende o que é “céu de Sprite”. Só ela sabe porque na esquina da rua de Israel, a gente se olhava e dizia: “Bora?” e o vigia da rua não entendia porque aquilo acontecia todo dia.
Uma vez ela me disse: “Eu sei quem são as pessoas legais pra você”.
E quando eu, recentemente, contei para ela (só para ela) sobre um projeto novo que eu tenho, ela falou: “QUE DIGNO!”.
Digna é ela! E vai ser sempre. Vai ser uma excelente jornalista, ou uma excelente “o que ela quiser ser”. E ela já me dá muito orgulho por ser uma excelente prima, filha, neta, sobrinha e amiga. E por ser exatamente do jeito que é: linda, inteligente, discreta, compreensiva, madura...cativante!
Parabéns, Lorena Barros!
27 de abril de 2010.
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